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A cidade esquecida do esplendor: Baiae e as suas termas romanas

Bastian Glumm5 min. de leitura
Foto: © Bastian Glumm
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Na margem do Golfo de Nápoles, encastoado na paisagem ondulada da Campânia, encontra-se um lugar que outrora figurou entre os destinos mais cobiçados da elite romana: Baiae. O que foi então uma fusão de termas, residência de verão e centro social é hoje um extenso parque arqueológico, testemunho silencioso do esplendor pródigo da cultura balnear romana.

As cúpulas termais: técnica e acústica de nível superior

Quem hoje percorre o recinto caminha por várias terraçasque sobem pela encosta e outrora integravam um vasto complexo termal. As estruturas estão notavelmente bem conservadas, não apenas fragmentos, mas salas inteiras, arcos e abóbadas.

Particularmente impressionante é o monumental banho de cúpula, durante muito tempo conhecido como 'Templo de Mercúrio'. A designação pode ser enganosa, mas o espaço em si continua a fascinar: uma enorme cúpula hemisférica, cuja acústica ainda hoje amplifica qualquer sussurro, ergue-se sobre o que foi uma piscina cheia de água quente. Não um edifício sagrado, mas um espaço para o descanso, a conversa e o jogo do poder.

Particularmente impressionante é o monumental banho de cúpula, durante muito tempo conhecido como 'Templo de Mercúrio'. (Foto: © Bastian Glumm)
Particularmente impressionante é o monumental banho de cúpula, durante muito tempo conhecido como 'Templo de Mercúrio'. (Foto: © Bastian Glumm)

Villas romanas com vista para o mar e pavimentos de mármore

Nas imediações erguem-se outras cúpulas em ruínas, igualmente classificadas de forma equivocada como templos, como a da chamada 'construção de Vénus', que provavelmente albergava um banho frio, ou a do 'edifício de Diana', onde se supõe ter existido o caldarium , a zona quente das termas. As suas espessas paredes e os engenhosos sistemas de aquecimento revelam uma arte construtiva que soube aliar as nascentes termais naturais à elegância arquitectónica.

Uma experiência singular é a zona superior do parque, onde se encontram os vestígios de villas privadas e de galerias de passeio. Aqui situava-se provavelmente a chamada Villa dell'Ambulatio, que deve o seu nome à ampla colunata coberta que outrora abria o olhar para o mar. Entre as ruínas, a estrutura ainda é claramente identificável: salas de recepção, termas privadas, pátios interiores com espelhos de água e lajes de mármore.

A vista sobre o Golfo ajuda a compreender por que razão imperadores como Adriano, Nero ou Augusto se sentiam tão bem aqui. Baiae não era apenas um complexo termal; era um símbolo de estatuto.

A vista sobre o Golfo ajuda a compreender por que razão imperadores como Adriano, Nero ou Augusto se sentiam tão bem aqui. (Foto: © Bastian Glumm)
A vista sobre o Golfo ajuda a compreender por que razão imperadores como Adriano, Nero ou Augusto se sentiam tão bem aqui. (Foto: © Bastian Glumm)

A arte construtiva dos antigos romanos, presente em cada parede

Os visitantes não descobrem aqui apenas monumentos isolados, mas um sistema urbanístico complexo: canais de água, sistemas de aquecimento, amplas terraças adaptadas à encosta íngreme e soluções arquitectónicas para fazer circular luz e ar . Painéis e maquetes ajudam a reconstituir a imagem original do conjunto, e no olhar interior surge um mundo vibrante de vapor, vozes e luxo.

Quem percorre as ruínas com atenção descobre pormenores que contam mais do que qualquer peça de museu: plantas assimétricas, aquecimento de piso, condutas de água, tudo rigorosamente pensado. A arquitectura não obedece ao acaso, mas a uma concepção de conforto que poderia rivalizar com os mais modernos complexos termais.

Baiae: a cidade debaixo de água

Quem, depois de visitar a colina, olha para o mar deve saber que uma grande parte da cidade antiga se encontra hoje submersa. Devido à actividade vulcânica , o solo desceu ao longo dos séculos, um fenómeno conhecido como bradisismo . Onde outrora existiam instalações portuárias, villas e passeios à beira-mar, um parque arqueológico subaquático conduz hoje os visitantes ao mundo afundado de Baiae, em barco de fundo de vidro ou em mergulho guiado.

O parque arqueológico em terra firme oferece, porém, tudo o que uma viagem no tempo exige: uma mistura singular de ruínas, paisagem, engenharia e atmosfera. É um lugar onde se sente a proximidade surpreendente da Antiguidade e o quanto ela estava já à frente do seu tempo.

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