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Geraci Siculo: a «aldeia dos imortais» na Sicília

Redaktion
Geraci Siculo, instalado num cume das Madonie. A aldeia remota é considerada um caso singular de longevidade em Itália, devido ao número invulgarmente elevado de habitantes com mais de 90 anos.

Geraci Siculo, instalado num cume nas Madonien. Esta aldeia remota é considerada um caso singular de longevidade em Itália, devido ao número invulgarmente elevado de habitantes com mais de 90 anos.

(Foto: © Nebula Design - stock.adobe.com)
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Nas montanhas das Madonie, longe das grandes rotas da Sicília, fica Geraci Siculo, uma localidade que durante muito tempo passou quase despercebida fora da sua região. Uma reportagem recente da RaiNews veio mudar isso. Aí fala-se no "borgo degli immortali", a aldeia dos imortais.

Município com cerca de 1.600 habitantes

O motivo são números que não se explicam de forma casual. No município com cerca de 1.600 habitantes, vivem 56 pessoas com mais de 90 anos. Entre elas encontram-se também vários centenários, incluindo uma mulher de 105 anos e ainda outra moradoraque está prestes a completar 100 anos. O que torna estes números notáveis não é tanto o seu valor absoluto, mas a sua proporção face à dimensão da localidade. É precisamente esse o aspecto que a RaiNews destaca: nesta concentração, a longevidade torna-se visível.

A reportagem evita a ideia de mero acaso. No local, esta realidade é entendida como resultado de uma forma de vida que se manteve ao longo de gerações. A própria autarquia partilha esta leitura. O número extraordinário de residentes de idade muito avançada não seria uma anomalia estatística, mas a expressão de um quotidiano enraizado que até hoje pouco terá mudado.

"Blue Zones": onde as pessoas vivem mais

A RaiNews enquadra Geraci Siculo num contexto mais amplo e remete para as conhecidas "Blue Zones", as regiões onde as pessoas demonstravelmente vivem mais tempo. São referidas, entre outras, a sardaOgliastra, Okinawa e Ikaria. Geraci Siculo não pertence a estas áreas cientificamente estudadas, mas os paralelismos descritos na reportagem são evidentes.

No centro está uma forma de vida que não parece nem espetacular nem encenada. É marcada pela proximidade à natureza, por uma alimentação proveniente do ambiente imediato e por estruturas sociais sólidas. A vida segue aqui um ritmoque não se orienta por acelerações externas, mas por ciclos recorrentes. As relações mantêm-se estáveis, os percursos são curtos, os hábitos constantes.

Quem vive nas Madonie, fica

Também a localização da aldeia se enquadra nesta imagem. As Madonie não são sinónimo de dinamismo ou crescimento, mas de permanência. Quem aqui vive, fica muitas vezes. Quem fica, vive num ambiente que ao longo dos anos pouco muda. É precisamente esta continuidade que a reportagem aponta como possível chave para a longevidade assinalável do lugar.

O que torna Geraci Siculo actualmente interessante não é, por isso, apenas a idade dos seus habitantes, mas a concentração de uma idade muito avançada no seio de uma comunidade pequena. É uma constelação que não se explica simplesmente com as tendências demográficas conhecidas. A RaiNews fala num dos casos mais interessantes de Itália, e acerta num ponto que vai além da própria localidade.

Se daí resultará algo mais do que um retrato do momento, fica em aberto. Mas já agora fica claro que a longevidade não se encontra apenas nas regiões conhecidas, mas também ali onde, à partida, menos se esperaria.

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