A Itália é também no verão de 2026 o destino de viagem mais reservado da Europa. De acordo com os dados do Ministério do Turismo italiano as taxas de ocupação das agências de viagem online em Itália atingem 51,2 por cento, um valor claramente superior ao de Espanha, com 42,8 por cento, e ao de França, com 32,9 por cento. Ao mesmo tempo, o preço médio por noite, de 153 euros, situa-se abaixo do nível da concorrência direta. Para quem viaja, trata-se de uma boa notícia com efeitos secundários: a Itália mantém-se acessível, mas torna-se progressivamente mais concorrida.
Os dados do Ministério
A base desta estatística é o relatório atual do Ministério do Turismo italiano sobre a época de verão de 2026, publicado no início de julho. A taxa de ocupação das agências de viagem online, abreviada como saturação OTA, mede qual a proporção das camas disponíveis vendida através dos grandes portais de reservas e é considerada um bom indicador antecipado para a época de viagens. Para junho e julho de 2026, este valor cresce, em comparação com o ano anterior, 13,4 e 10 por cento, respetivamente, o que representa um dos aumentos mais expressivos dos últimos anos. O crescimento é ainda sublinhado pelo aumento paralelo de 26 por cento nas pesquisas de voos internacionais.
Notável é também a comparação de preços com os concorrentes. O preço médio de quarto em Itália situa-se, segundo o Ministério, em 153 euros por noite, em Espanha em 170 euros e na Grécia em 195 euros. A Itália mantém assim a reputação de destino mediterrânico comparativamente acessível, ao mesmo tempo que a procura de reservas cresce mais rapidamente do que nos países vizinhos. Na comunicação oficial do Ministério, o ministro do Turismo Gianmarco Mazzi qualifica o resultado como fruto do trabalho coordenado entre o governo, as empresas e o setor.
As regiões com maior crescimento
Em termos de taxa de ocupação, destacam-se as regiões do nordeste do país. Os valores mais elevados são atingidos, segundo o Ministério, pelo Veneto com 57,5 por cento, pela Emilia-Romagna com 56,7 por cento, pela província autónoma de Trento com 55,7 por cento e pela província autónoma de Bolzano com 54,9 por cento. Seguem-se o Friuli-Venezia Giulia com 53,7 por cento, a Sicília com 53,3 por cento e a Toscana com 52,5 por cento, todas acima da média nacional. Quem pretenda visitar estas regiões deverá reservar com antecedência, sobretudo nas localidades costeiras e nas zonas de montanha.
Um panorama diferente surge quando se analisa o crescimento das dormidas no primeiro semestre de 2026. De acordo com os dados da plataforma Alloggiati Web do Ministério do Interior, o número de chegadas em toda a Itália cresceu 4,43 por cento em relação ao ano anterior. O maior crescimento registou-se na Calábria com um aumento de 10,54 por cento, seguida da Úmbria com 9,70 por cento, do Piemonte com 9,22 por cento, da Sardenha com 8,24 por cento, da Apúlia com 7,43 por cento e da Ligúria. Assim, lideram regiões que até agora eram consideradas destinos alternativos ou opções secundárias.
Não só mar, também lagos e termas
Interessante é igualmente observar o tipo de destinos. A maior taxa de ocupação é registada, segundo o Ministério, pelas regiões lacustres com 54 por cento, seguidas das estâncias termais e balneares com 51 por cento cada. As férias clássicas de praia no Mediterrâneo já não são a única locomotiva da época turística italiana. Quem olha para o norte de Itália percebe claramente os efeitos deste crescimento nas margens do Lago de Garda, do Lago Maggiore e do Lago de Como, bem como nas estâncias termais da Emilia-Romagna, da Toscana e da Campânia.
A tendência para viagens aos lagos e a estâncias termais insere-se num quadro mais amplo: os viajantes procuram cada vez mais alternativas à grande afluência das localidades costeirasclássicas. Neste padrão incluem-se também as regiões em crescimento, como a Calábria e a Úmbria, que apostam em paisagens intactas, localidades mais pequenas e bons preços, sem a infraestrutura dos grandes destinos turísticos.
Porque precisamente a Itália
Para este resultado expressivo contribuem vários fatores. O nível de preços mantém-se mais moderado do que em Espanha e em França, apesar da inflação, a diversidade das regiões permite tipos de viagem muito distintos e a conjugação de cultura, gastronomia e litoral revelou-se sólida. De acordo com as notícias da ANSA sobre a época de verão também desempenha um papel relevante a melhoria das ligações ao país, com um aumento das rotas aéreas provenientes do norte e do centro da Europa e uma presença reforçada do sul de Itália na oferta dos operadores turísticos.
Também as condições meteorológicas influenciam as escolhas dos viajantes: enquanto as vagas de calor persistentes dificultam a estadia no sul profundo, uma parte da procura desloca-se para as montanhas do norte de Itália, para os lagos e para as paisagens, supostamente mais frescas, do Trentino e do Südtirol. Análises especializadas como a da Qualitytravel identificam nisto uma tendência estrutural que poderá prolongar-se nos próximos anos, caso as condições climáticas continuem a alterar-se.
O que os viajantes podem esperar
Para os viajantes provenientes da Alemanha e da Áustria, o boom tem dois lados. Por um lado, a confirmação de que a Itália continua a ser, em termos de preços, uma das opções mediterrânicas mais atrativas, com uma oferta ampla em todas as categorias e uma maior escolha de voos e ligações ferroviárias. Por outro lado, a recomendação de reservar com antecedência destinos clássicos como a Toscana, Ligúria e a Costa Amalfitana com antecedência, uma vez que a ocupação nas semanas de época alta esgota rapidamente a capacidade disponível. Quem tiver flexibilidade encontra na Costa degli Deida Calábria, na Úmbria, no Piemonte ou nos recantos menos conhecidos da Emilia-Romagna mais tranquilidade e melhores preços.
Para a segunda metade do verão, os números deverão subir ainda mais, segundo o ministério, com agosto a afirmar-se como o mês tradicionalmente mais forte. Se a Itália conseguirá manter a vantagem sobre Espanha e França até ao outono depende também das condições meteorológicas e da evolução das ligações aéreas internacionais . Para os meses de verão de 2026, o número um na Europa está, porém, definido.



